
Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.
Este planeta tem o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia a respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes. E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.
Um número cadavez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sito uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.
Douglas Adams – O Guia do Mochileiro das Galaxias
Antes de começar qualquer coisa é sempre bom entender um pouco a história dessa coisa em si. Isso vale para absolutamente quase tudo. Quando crianças, antes de ouvirmos a história dos três porquinhos e entender porque fazer um serviço bem feito pode atacar a asma de um lobo mal nós já tinhamos noção do que são porquinhos, a diferença entre a palha, madeira e tijolos – também já duvidávamos da capacidade de um lobo soprar, soprar e soprar até derrubar tudo. Isso evita, depois de um discurso emocionante e profundo, a pergunta constrangedora ‘vem cá, mas quem é esse cara na cruz?’.
Essa coluna começou a partir da pergunta fundamental, sobre o sentido da Vida, do Universo e Tudo Mais, pergunta fundamental que o mais largadão e nerd dos pensadores respondeu de olhos fechados, Douglas Adams escreveu uma tese em forma de trilogia de cinco livros só para dizer que a resposta é, simplesmente, 42. Quando perguntado o porque dessa resposta não ter o menor sentido ele disse o problema não é a resposta e sim a pergunta, e que se soubessemos a pergunta correta a resposta sería lógica. Após ler todos os livros se vê que ele não sabia a pergunta correta.
Mesmo assim o largadão do Dougla Adams fez o que muitas pessoas evitam, deu uma resposta louca para uma pergunta geral. E isso é a coisa mais lógica possível para fazer pessoas pensarem. Imagina como as conversas melhorariam se todos pensasem um pouco mais, não perguntando coisas inúteis como ‘porque existe o dízimo?’, e ‘como um ser de amor pode deixar tantas guerras acontecerem?’ ou etc. Para todas essas perguntas acho que a melhor resposta é 42. Se você não achar que essa é a resposta, experimente fazer a pergunta correta.
(Escrito por: Nuno em #papodelouco)